
Pega o celular e tenta ligar para casa. Em vão. Pergunta a desconhecidos na praia. Só recebe algumas caras de deboche. Em volta não há ninguém com a frutinha (aliás, ele nem sabe se aquilo é uma fruta). Apenas muita champanhe, adolescentes ouvindo funk e cacos de vidro na areia.
Ele tem apenas dois minutos para decidir. Entra no mar e, enquanto as ondas cobrem seus pés, olha para o infinito. “Lá onde fica a África”, como sempre pensava quando era criança. Os primeiros fogos começam a estourar. As pessoas de branco se abraçam. Ele, que nem de branco está, enche a mão com as tâmaras. Fixa o olhar nelas e, então, as põe de volta no bolso. Decide que seguirá a tradição corretamente na virada para 2010. Quando, enfim, terá um ano bom.